14.09.2011 - 11:46:15
4ª edição da Marcha das Margaridas é aberta em Brasília

A abertura da 4ª Marcha das Margaridas ocorreu ontem (16) no Parque da Cidade, transformado em Cidade das Margaridas, em Brasília. Delegações de todo o País tomaram conta do pavilhão central, numa mistura de cores e sotaques diversos. Ministros de Estado, parlamentares, representantes dos movimentos sociais, das centrais sindicais, da Contag integraram a mesa. Atrás, as 27 coordenadoras de mulheres também estavam no palco principal.

O presidente da Contag, Alberto Broch, defendeu a reforma agrária, o acesso à terra e um modelo de agricultura familiar. “Fortalecer a agricultura familiar é dinamizar a economia do interior”, disse. Sobre a resposta da presidenta Dilma Roussef à pauta da Marcha, Broch espera o anúncio de medidas fortes. Iriny Lopes, ministra da Secretaria Especial de Mulheres da Presidência da República, Afonso Florence, ministro do MDA e Luiza Helena de Bairros, ministra da Igualdade Racial estiveram presentes, além do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

A secretária nacional de mulheres da Contag, Carmen Foro, começou sua fala numa referência a Leonardo Boff sobre a águia e a galinha – disse que, desde a 1ª Marcha, descobriu que as mulheres podem ser águias. Ela contou que a construção da marcha acontece há mais de um ano, e que foram muitos pastéis, panos, rifas e festas que possibilitaram a presença de plataforma política que diz respeito ao desenvolvimento sustentável do Brasil, que só pode ser alavancado com Justiça, autonomia, igualdade e liberdade. Carmen acredita que o diálogo com a presidente Dilma vai render frutos históricos, capazes de transformar a vida. E que a expectativa é de construção de agenda longa, com políticas públicas que propiciem um salto de qualidade.

O anúncio do nome do teólogo e pensador Leonardo Boff rendeu muitos aplausos. E seu discurso não decepcionou. Disse que a Marcha revela mulheres protagonistas de sua história. E que essas mulheres eram antes invisíveis, mas nunca ausentes, apenas à margem, cuidando dos filhos, do marido, da casa. Boff falou da importância de o Brasil ser hoje governando por uma mulher. Ele acredita que as mulheres podem ter um cuidado maior, um olhar generoso com a política brasileira. Isso porque, além de serem mais da metade da população do Brasil e da humanidade, são mães e irmãs da outra metade. Terminou sua fala agradecido, afirmando que a vida se deve as mulheres.

Elisabeth Teixeira - Os cabelos grisalhos e a aparência franzina de Elisabeth Teixeira, 86 anos, enganam à primeira vista. Mas quando se aproxima do microfone e conta sua trajetória de vida, ela se agiganta. Viúva de João Pedro Teixeira, fundador e líder da Liga Camponesa de Sapé, morto em 2 de abril de 1962 num confronto sobre terra, a homenageada Elisabeth se viu com 11 filhos pequenos e o legado do marido. Na pequena Sapé, na Paraíba, ela deu continuidade à luta da liga camponesa, sendo presa inúmeras vezes pela polícia, ocasião dessas em que teve dois filhos pequenos assassinados e em que a filha mais velha cometeu suicídio. Com o golpe militar em 64, virou prisioneira do Exército durante oito meses. Sabendo que seria presa novamente pela polícia quando recebeu a liberdade dos militares, Elisabeth fugiu com um amigo para São Rafael, no Rio Grande do Norte, onde viveu por 20 anos, até o fim da ditadura, tornando-se professora alfabetizadora, apesar de ter estudado apenas até a 4ª série.

Ela falou da dor de ter deixado os filhos para trás. Foi justamente o filho mais velho, Abrahão, quem buscou a mãe depois da anistia – ele havia recebido uma bolsa de estudos como reparação do governo brasileiro. Outro filho, Isaac, recebeu convite de Fidel Castro para estudar em Havana, Cuba, onde formou-se médico – atualmente, trabalha em Fortaleza. Finalmente, Elisabeth lembrou da amiga, Margarida Alves, destacando sua importância.

As repentistas da Paraíba e as meninas de sinhá do aglomerado do Alto Vera Cruz, de Belo Horizonte, animaram e emocionaram a plateia e a mesa. As meninas de sinhá, grupo de senhoras, cantou de forma singular o Hino Nacional Brasileiro, acompanhado por todos.


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